terça-feira, 11 de novembro de 2008

CAPÍTULO IV

No dia seguinte à mesma hora voltei à casa de Lúcia; achei-a ao piano.
— O que estava tocando?
— Nem sei!... Uma valsa que aprendi de ouvido.
— Continue!
— Não sei tocar, não! Estava brincando; não tinha que fazer. — Como passou de ontem?
— Bem, obrigado. Já vê que a minha segunda visita não se demorou muito.
— Ainda assim não compensa a demora da primeira.
— Sentiu essa demora?... Qual! ontem nem me conheceu.
— Tanto como na Glória. Ainda que se tivessem passado anos, creio que em qualquer parte
onde me encontrasse com o senhor, o reconheceria.
— Por que motivo então fingiu ontem não se lembrar de mim, logo que entrei?
— Por quê?... Queria ver uma coisa.
— E não se pode saber o que era?
— Não é preciso!
— Há de me dizer!...
E tomei-lhe as mãos que estavam frias e trêmulas.
— Pois bem, eu lhe digo. Queria ver se ainda se lembrava do nosso primeiro encontro,
respondeu ela furtando o corpo ao meu abraço.
— Duvidava?... Não tinha razão; talvez fosse eu o que melhor guardasse essa lembrança.
Lúcia abanou a cabeça lentamente:
— Que vestido levava eu naquela tarde? perguntou sorrindo.
A pergunta embaraçou-me. Quando admiro uma mulher bonita, a impressão que ela produz
em mim não me deixa ver mais que a sua beleza.
— Nem se recorda!
— É um defeito meu. Não reparo na toilette das moças bonitas pela mesma razão por que
não se repara na moldura de um belo quadro.
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— Que desculpa!... E eu por que reparei no seu traje, na cor de sua sobrecasaca, em tudo;
até na sua bengala? Não é esta; a outra era mais bonita; tinha o castão de marfim. Está vendo que
me lembro perfeitamente, e entretanto não tenho esses objetos diante dos olhos!
— Ah! É este o vestido?
— O vestido, as jóias, o penteado, o leque, aquele que o senhor apanhou. Nem desse se
lembrava! Só falta o chapéu! Quer vê-lo?
Lúcia saiu um instante e voltou. Ou porque a minha memória se avivasse, ou porque a
ausência desse gentil chapéu, que parecia fugir-lhe da cabeça, tão de leve a cingia, mutilasse a
graciosa imagem que eu vira na tarde de minha chegada; o fato é que a aparição já desvanecida
surgira de repente aos meus olhos.
— Agora lembro-me! Estou vendo-a como a vi da primeira vez!
— Como daquela vez não me verá mais nunca!
— O que lhe falta?
— Falta o que o senhor pensava e não tornará a pensar! disse ela com a voz pungida por dor
íntima!
Não compreendi então aquelas palavras, nem o tom com que foram proferidas; procurei-lhes
o sentido, acompanhando com os olhos a Lúcia que tirava lentamente o chapéu, e fitava na sua
imagem refletida pelo espelho um triste olhar.
— Ah! já sei! O que eu pensava?... Mas ainda penso: acho-a hoje tão bonita ou mais do que
naquela tarde.
— Não é isto!
— O que é então? Venha dizer-me.

8 comentários:

Unknown disse...

Ao se discorrer sobre o capítulo proposto, nota-se a ida de Paulo a casa de Lúcia, no qual aparenta estar completamente atraído pela figura esplendorosa dela.
No entanto, ele não sabia da forma como Lúcia fazia para possuir tantas riquezas materiais. Comprova-se isto, quando Paulo não entende quando Lúcia falou a seguinte frase: "Falta o que o senhor pensava e não tornará a pensar", após Paulo lhe perguntar, o que faltava para ela.


Comentário feito por: Adeliane, Bárbara, Érica e Karina.

Lee disse...

Ao analisarmos a visita de Paulo a Lucíola, podemos perceber nitidamente a paixão que o mesmo começa a alimentar pela inebriante, misteriosa e sedutora "senhora", porém podemos ainda perceber que o fato de Lucíola ser uma prostituta, ainda virá a interferir muito na relação entre os dois, esse fato é claramente perceptível na passagem em que Lucíola diz: "Falta o que o senhor pensava e não tornará a pensar"; ou seja a pureza que exalara do semblante inocente de Lucíola talvez nunca mais voltasse a brotar de seu "imaculado" rosto, para despertar o interesse que a “refinada dama da sociedade” despertara em seu amante de primeira vista.


Comentário feito por: Alex e Caroline

Lucas disse...

No decorrer do capítulo podemos notar que Paulo está cegamente apaixonado por Lúcia.
Também podemos notar que apesar de vestir as mesmas roupas e acessórios, ela nunca parecerá a mesma do dia em que Paulo conheceu-a.O que mudou, ao invés do físico, foi o jeito de Paulo vê-la após descobrir que ela era uma prostituta.

Comentário feito por: Lucas

vitulemes disse...

Percebe-se que à medida que a história vai se desenrolando, Paulo vai se mostrando cada vez mais interessado por Lúcia, como podemos ver neste capítulo, e também podemos ver no mesmo que Paulo ainda desconhece o trabalho exercido por Lúcia, isso fica evidente quando ela lhe profere a frase: “Como daquela vez não me verá mais nunca!”, ele compreende a frase de forma errada, pois ele cogita na possibilidade da Lúcia estar falando que ele não a achava tão bela como na primeira vez que eles se encontraram, mas na verdade ela estava se referindo ao fato de ser uma prostituta, e este fato era algo que nem lhe passara por pensamento algum.


Comentário feito por: Felipe, Hugo Isadora, João Vitor

Unknown disse...

No decorrer do capitulo, percebe-se a atração e Paulo por Lucíola. Da mesma maneira que se notam as riquezas pertencentes a ela e de como foram obtidas.
O fato de ela ser uma prostituta interfere muito na relação entre os dois. A imagem transmitida por ela nunca será a mesma, confirmado pela passagem onde Lucíola diz: “Falta o que o senhor pensava e não tornará a pensar”; a sua imagem de pureza transmitida anteriormente nunca mais será vista pelos olhos de Paulo.

Comentário feito por: Bruno e Fernando

Dalila disse...

O capítulo anterior mostra que Paulo se sentiu ridicularizado por ter ido a casa de Lúcia e não ter conseguido satisfazer seus desejos. Então no próximo capítulo, que é o retratado, Paulo volta á casa da Lúcia afim saciar a vontade que não conseguira desfrutar no dia anterior. Ele debrussou-se em seus braços, mas, Lúcia se opôs e chegou até a chorar como primeira reação, porém ele acha que ela está fingindo e trata-a como uma simples prostituta, e não com o mesmo respeito da primeira vez que a tinha visto. “Como daquela vez não me verá mais nunca!”. Lúcia corresponde tal tratamento ficando nua em sua frente. No auge do prazer do sexo, Paulo percebe que Lúcia transmitia sofrimento em suas carícias, fazendo-o sentir pena da pobre moça. Ao final, ele quer pagar a ela pelo serviço, mas ela rejeita, dando-lhe apenas uma aperto de mão.


Grupo: Ana Clara, Dalila, Gabriela, Laís e Thais Peterle.

Thaís U disse...

Neste quarto capítulo da obra "Lucíola", é perceptível que Paulo já não vê Lúcia com os mesmos olhos de antes. A esta altura da trama, seu amigo Sá já havia o alertado sobre a verdadeira índole da tal "senhora". Paulo tinha plena convicção da realidade que o cercava, porém, tentava enxergar o contrário devido ao amor que começava a sentir pela “bela moça fácil”. Ele sabia que ela era uma prostituta, porém fingia o contrário para que ela percebesse o modo diferente em relação aos outros homens com que ele a tratava; e para que pudesse ser amado por ela (uma vez que Sá havia lhe dito: “... o homem a quem ela amar deve ser bem feliz").
Lúcia tentava ocultar sua profissão, mas não enganava Paulo. Em certos momentos disse-lhe de forma subentendida que não a conhecia bem, entretanto não evitava os encontros e oportunidades para seduzi-lo, afinal, era esse o meio com que adquiria tantas riquezas.

Comentário feito por Thaís Uliana, Paulo Mazzoco, Lorena Scolforo e Thaiz Altoé.

Unknown disse...

Com a leitura do IV capítulo podemos perceber que Paulo e Lúcia compartilham da mesma paixão fervorosa. Pórem, Lúcia sabe que Paulo não a verá novamente do jeito meigo e puro que a viu no dia em que se conheceram devido ao fato de agora ele saber que ela é uma prostituta. Também vemos que futuramente eles podem vir a ter algum problema em seu 'relacionamento' por causa do estilo de vida de Lúcia.

Comentário feito por: Jade, Jéssica e Marianna.